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sábado, 5 de março de 2016

Estados de ser






Existe um estado meditativo de profunda paz. Pode ser dois segundos ou três minutos. Nessa fusão de serenidade, as palavras não fazem sentido porque tudo expande e deixo de ter corpo, forma, parece que tudo muda, até mesmo o lugar onde estou sentada.
Depois de muitos anos a meditar, pelo simples prazer de sentir esse êxtase, hoje obtenho esse estado de olhos abertos. Não a toda a hora, mas quando me permito.
Vinha a conduzir nesse estado, e até parecia que o carro se dirigia a ele mesmo, levando-me junto. O meu corpo fazia as manobras necessárias para ir onde o cérebro já tinha programado com destino certo.
Com um sorriso no rosto e como se o tempo estivesse parado enquanto eu passava, sentia a união com tudo, a estrada, as pessoas atarefadas, as nuvens, os semáforos.....

Engraçado como determinados estados produzidos dentro de nós, podem despertar outros cada vez mais profundos, como uma espiral sem fim. O meu desafio é manter cada vez mais tempo este sentir.
E claro, como sou humana, enquanto escrevo estas vibrações, com o veículo parado, depressa saí desse estado, quando alguém estacionou ao meu lado, batendo com a porta da sua carroça no meu carro!! Em segundos lá se foi a paz!!!
Voltei ao meu estado de união, ri para mim e pensei "afinal, isto é viver, interagir, crescer, morrer para re-viver".....
E re-vivi nesse momento porque me permiti sorrir para a minha mente, com os seus juízos rápidos e parar a importância que estava a dar ao material e à individualidade.... O outro carro, dito carroça, mas o meu, ah, o meu até lhe chamo de Blue e tem personalidade....
Quantas vezes me deixo cair nestas teias mentais, de separação!???
Pelo menos hoje a consciência falou mais alto! E sabes que mais? Ainda sinto esta união, paz, amor.
Consegues sentir?
É tão maravilhosamente bom.... Que as palavras não chegam....


sábado, 21 de novembro de 2015

Viver





Nas carícias do sol sinto o momento e perco-me nesse sentir. Consigo perceber as flores que abrem as sua pétalas para receber os mesmos raios, que tão bem me fazem sentir, ou a cobra que sai do seu esconderijo para receber este calor, pleno de vida, de força, de amor.... 

Nesta paragem, sentada a ver o mar, há uma paz dentro de mim, contrastante com o fluir constante dos automóveis, a uma velocidade estonteante.... 
E penso "quantas vezes andamos com esta rapidez? Quantas vezes paramos para usufruir? Para sentir, para viver??".....
É suposto corrermos em direção a não sei onde, produzir não o quê e chegar onde não existe fim..... Será mesmo o pedido? É o que a Alma precisa? A minha não. Claramente!!!

Aprecio a profundidade da vida, do viver, saindo de mim mesma, como quem aprecia da janela o que se passa ao redor, feito gato curioso do que existe para além do parapeito em que se encontra.
Apraz-me sentir que o meu viver, não é ser escrava de rituais banais, sem qualquer alegria intima e genuína, mas sim momentos intensos de pausas no continuum do tempo, em que permaneço na multiplicidade de quem sou e me expando como os círculos desenhados no lago da existência, como quando uma pedra lapidada é atirada a esse água e mesmo assim, do simples acto advêm beleza.... A estética perfeita que todo o ser, com ela nasce. 

Sentir, é mesmo assim!!

Viver!!!