quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Consciência





Hoje bem cedo vi a mãe natureza a acordar. O sol a começar a abrir um sorriso de bom dia ao canto embalador dos pássaros. Senti-me tão grata por estar a vivenciar a mesma paz e força de re-nascer dentro de mim. 
Ultimamente tenho tido experiências no mínimo interessantes e motivadoras. 
Às vezes podemos ter a fraca percepção de que as dificuldades são muitas ou grandes demais e que a força é insuficiente para a caminhada que temos pela frente. Mas é uma ilusão que adoptamos como verdadeira. 
Já tive e tenho esta ilusão várias vezes. Sempre que saio da zona de conforto, para total desconforto, ou seja, algo inesperado vem até mim, de tal forma avassalador que quase entro em pânico. Algo que pode acontecer a nível profissional, emocional ou noutra vertente qualquer.
No entanto, consigo percepcionar que é para me "abanar" a nível de crenças e/ou estruturas demasiado enraizadas em mim, que de outra forma não seriam colocadas em causa. 
Reconheço acima de tudo, o quanto estas mudanças foram benéficas ao nível de salto quântico no crescimento interior. No meu ser, sinto como uma expansão em direção ao infinito, numa escada linda e espiralada, em que vou subindo degrau a degrau e nessa ascensão, obtenho maior consciência de quem Sou. Será como subir uma majestosa montanha em que a visão do topo, estará longe de ser a mesma que a da base, com a diferença que no crescimento pessoal, não existe topo. Há sim proliferação.

Sinto me grata por este re-Nascer a todos os níveis em mim. Grata por assumir a responsabilidade de ser um melhor ser, em mim. Grata por estar num caminho de mãos dadas com a força e fragilidade. E sei que cada passo que abraço a sombra, há mais espaço para a luz brilhar. 
Essa é a magia da transparência comigo. É a minha escolha consciente.

Já pensaste que tens opção de escolha? Que escolhes?

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

A arte de contemplar






Gosto de contemplar. Apenas ficar quieta a respirar, e fazer, talvez, a mesma figura que as corujas fazem em cima de um ramo especial, onde se sentem seguras. 
Presente a mim, observo os transeuntes e suas faces que variam como vários atores numa peça de teatro. Rio-me, por poder e me permitir assistir a essa peça, sendo espectadora dela mesma e interveniente ao mesmo tempo. Por momentos voo para cada expressão e pergunto-me se a preocupação daquele rosto será de saúde, relacionamentos, algo financeiro ou se a gargalhada de outros é por uma anedota ou pelo genuíno gosto de estar com alguém. 
Mantenho-me na leitura da linguagem não verbal apenas pelo simples prazer de assim estar e ao mesmo tempo, de tantas vezes ser eu, dentro dessa peça e tão profundamente emaranhada que me esqueço que é apenas uma peça....

Agora que estou mais consciente do processo, respiro fundo e digo "Aaahhh" ou "Eureka", como Arquimedes disse e sorrio com a serenidade de quem sabe onde está na sua caminhada. 
Sentir profundamente nem sempre é fácil. Mas à medida que me possibilito vivenciar cada sentimento em mim, também subo mais um degrau em direção à escadaria do conhecimento e expansão infinitos de mim mesma, do Todo.
O mesmo Universo do qual fazes parte. Sim, tu, que lês estas palavras. As mesmas que acordam algo dentro de ti. 

Obrigada pela tua existência onde quer que estejas e quem quer que sejas.... Pois em algum nível, conheço-te. 

Bem Haja, querido ator da vida. 

Sonja

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Magia





Enquanto dava uma aula de yoga, um pensamento persistente me invadia como a onda que beija a areia e se retrai para voltar de novo e de novo. A magia da vida, nas suas múltiplas formas, surgia na minha mente.

Magia é considerado algo invisível ao olho humano, algo transcendente, sem explicação, pelo menos numa primeira fase. A minha vida é feita de magia ou de pequenos encantos que me alegram constantemente. Poderei chamar sincronicidades, mas não deixam de ser sincronicidades mágicas.
Costumo fazer perguntas, muitas vezes alto (tenho um lado magicamente louco com o Universo!) e obtenho respostas nas coisas mais simples, como abrir um livro e ler a primeira frase; escutar alguém que sem ter questionado me fala do assunto, o mesmo que falara anteriormente ao Universo; alguém a ligar para me dizer algo, ou até mesmo uma música que ouço naquele momento. Estas e outras magias acontecem todos os dias. Não sou propriamente a pessoa de achar que os anjos ou guias vêem até mim falar a cantar.... Mas acredito que tenho seres visíveis e invisíveis que me acompanham, guiam, limpam as minhas lágrimas e me fazem cócegas para rir!!!

Há tantas magias na nossa vida, pensava eu... A magia das relações, sejam elas mais ou menos íntimas, a magia da zona de conforto versus desconforto, a magia profissional, a magia do medo, da abundância, da criança dentro de nós, das criações da mente, do coração..... A lista é infindável, como são os grãos de areia da praia onde gosto de caminhar e meditar.

Aahh!! Esquecia algo mágico muito importante!! Uma vez li num livro, daqueles que cada página é uma mensagem diária e um desses excertos  era "fazer nada e fazê-lo bem!!". A mensagem, não era descansar, mas fazer NADA! A magia de nada fazer e ao mesmo tempo ser esse nada na perfeição. A minha interpretação é simplesmente sentir essa paz, escutar o coração a bater! 
Já agora podes fazer esse exercício. Consegues parar neste preciso momento e ouvir, escutar o bater do teu coração? Como está? Acelerado? Ansioso? Ou calmo? Sereno? Não consegues ouvir? 
Silencia-te e acabas por sentir e depois lá vem o som tumtum tumtum. E com o som, vem a magia de te sentires vivo. E é provável que possas sentir mais e mais de ti, em união com tudo o que é, que existe.

Termino por partilhar toda esta magia contigo. A mesma magia que te levou a ler-me. A mesma onda que rouba um sorriso. O mesmo grão de areia que te sussurra, o quanto és importante e imprescindível neste puzzle da vida.
Querido ser mágico, estou grata pela minha e tua existências.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Memórias





Somos o resultado das nossas memórias. Toda a experiência nos impregna com uma memória, podendo ser esta mais consciente ou não. A experiência em si é neutra e atribuímos-lhe um resultado/significado, consoante o que esperávamos ou desejaríamos que fosse. Mesmo sem expectativas patentes, o ego condiciona e compara com resultados anteriores ou tem uma predisposição nata para determinado desfecho.
Assim sendo, a memória é a consequência que fica dessa mesma interpretação.

Relembro uma imagem que chegou até mim, em que ainda não tinha um ano e estava nos braços da minha mãe. Tudo o que via era a sua cara bonita, calma e sorridente, com um cabelo preto caído pelos ombros. Na minha percepção de bebé, só via aquele maravilhoso ser, como extensão de mim, sem perceber onde eu começava e ela acabava. Era como se nós as duas não tivéssemos forma, sendo esta completa naquele momento.
A memória que ficou selada em mim, foi a da identidade. A minha mãe era a minha identidade. E passados meses em que existiu separação física, por mudança de país, eu perdera a minha identidade....
Andei anos a trabalhar o perdão. Perdão a mim mesma e aos meus pais. E só agora tenho a consciência da identidade.

Nos Yoga Sutras, que são aforismos codificados quatro séculos antes de Cristo, por Patanjali, é referida a memória, como registo, resultado das experiências.
Y.S. 1.11 Anubhūta - Vishaya - Asampramoshah Smritih
"A memória será o facto de não tirar ao objecto de experiência o seu carácter de "consequência", já que lembrar-se é fazer de forma que o facto fique conforme a experiência que tive precedentemente a ela."
Ou seja, na minha experiência com a minha mãe, a memória que mais tarde ficou, resumiu-se à perda de identidade. Ficando eu sozinha, sem ela por perto, deixaria de ser eu. Pois eu era a totalidade com ela. E essa memória condicionou a minha vida até ter a consciência de que sou um ser individual, ligado a todos os seres.
Quantas memórias guardamos sem saber?

Seremos condicionados por elas?

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Yoga - video 2




Yoga e técnicas de equilibrio.

Neste segundo video encontras mais uma técnica para usares facilmente no dia a dia.
Por vezes a corrida diária não permite que possamos parar e simplesmente escutar o nosso corpo. Mais facilmente falamos mentalmente e por vezes essa conversa não é de todo agradável.
Apresento, numa sequência de três videos, técnicas muito simples de serem executadas em apenas alguns minutos, algumas em qualquer lugar, outras, por exemplo antes de dormir ou ao acordar.

É importante parar e sentir como estamos. Se repararmos todos os animais têm pausas de relaxamento, que facilmente podem ser meditações. 
Tenho aprendido muito com animais, que ao longo da vida me adotam, por exemplo a gata que me acompanha tem muitos momentos zen ao longo do dia e lugares especiais dentro e fora de casa onde carrega as suas baterias. Por vezes observo os seus rituais de dormir acordada ou as posturas que faz, mantendo uma flexibilidade única e invejável. Quando medito, ela gosta de me acompanhar. E este é um momento de partilha a dois seres, que se transformam num outro ser.
Se tens algum animal, deixo o desafio para experimentares meditar com ele. Não precisas de muito tempo. Apenas fechar os olhos e deixares estar a sentir-te com a coluna direita. Observa-te, como te sentes, a respiração, os pensamentos que surgem e deixa-os partir, porque nesse momento és apenas observador de ti mesmo.

Sente a liberdade de partilhares a tua experiência e o que sentiste.
Espero saber de ti.