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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Yoga e quem sou eu?




Quando nos unimos profundamente com yoga e vamos para além das posturas, meditação ou mantras, sentimos necessidade de conhecer, não apenas quem somos, mas também tudo o que nos envolve, toca, mexe e transcende o nosso ser. 
Um dos princípios que rege esta filosofia de vida, é Satya, palavra sânscrita, que quer dizer, "verdade" ou "correcto".
Muitas vezes questiono o que é verdade, perante circunstâncias mais desafiadoras, em que a linha é demasiado ténue, para ser algo universal. A minha verdade é apenas um ponto de vista, ditado por factores interiores, circunstancionais, sociais, educacionais, personalidade...... Já para não falar de ego e da envolvencia emocional que posso ter perante a situação. 
O ser espectadora de mim mesma, para tomar a imparcialidade do evento, tem sido um grande processo na minha evolução. Porque a minha verdade, pode nem sempre ser tão inócua, quanto seria de esperar. E a mesma veracidade pode ser inverdade para outrem. 
Vivemos numa sociedade de jogos de faz de conta e esconde-esconde. Faz-se de conta que se é feliz sendo autónomo ou autómato..... Esconde-se a realidade de viver de uns, em detrimento de outros, hipnotizados, acreditando que não têm poder de escolha, pela opção do medo versus segurança. 
Onde está a verdade???
Na escolha de questionar, procurar, lutar, sentir e unir-se aqueles que fazem parte desse mesmo axioma. 
No fundo, o que ressoa comigo, é a minha verdade. E sempre que estou presente a mim mesma, no sentir, sei, com todo o meu ser, para onde ir ou ficar.
A verdade é ser verdadeira comigo mesma, e em primeiro lugar. E a tua?

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Yoga - video 2




Yoga e técnicas de equilibrio.

Neste segundo video encontras mais uma técnica para usares facilmente no dia a dia.
Por vezes a corrida diária não permite que possamos parar e simplesmente escutar o nosso corpo. Mais facilmente falamos mentalmente e por vezes essa conversa não é de todo agradável.
Apresento, numa sequência de três videos, técnicas muito simples de serem executadas em apenas alguns minutos, algumas em qualquer lugar, outras, por exemplo antes de dormir ou ao acordar.

É importante parar e sentir como estamos. Se repararmos todos os animais têm pausas de relaxamento, que facilmente podem ser meditações. 
Tenho aprendido muito com animais, que ao longo da vida me adotam, por exemplo a gata que me acompanha tem muitos momentos zen ao longo do dia e lugares especiais dentro e fora de casa onde carrega as suas baterias. Por vezes observo os seus rituais de dormir acordada ou as posturas que faz, mantendo uma flexibilidade única e invejável. Quando medito, ela gosta de me acompanhar. E este é um momento de partilha a dois seres, que se transformam num outro ser.
Se tens algum animal, deixo o desafio para experimentares meditar com ele. Não precisas de muito tempo. Apenas fechar os olhos e deixares estar a sentir-te com a coluna direita. Observa-te, como te sentes, a respiração, os pensamentos que surgem e deixa-os partir, porque nesse momento és apenas observador de ti mesmo.

Sente a liberdade de partilhares a tua experiência e o que sentiste.
Espero saber de ti.


sábado, 23 de maio de 2015

Yoga e equilibrio





Ao longo do dia podemos variar entre stress, cansaço, ansiedade ou mesmo tristeza e ou alegria, sem nos apercebermos que a nossa energia pode-se manter mais estável.
Com Yoga obtemos técnicas muito simples de serem executadas em qualquer lugar e com as quais se torna mais fácil estarmos em equilíbrio. 
Neste vídeo partilho uma delas, talvez a mais simples e ao mesmo tempo poderá ser a mais complexa, dependendo do grau de atenção que colocamos em nós mesmos, no que pensamos e sentimos.
Parafraseando Henry Longfellow, "em caracter, em comportamento e em todas as coisas, a suprema excelência esta na simplicidade."
Como tal, lanço o desafio da simplicidade da técnica.

Pratico Yoga desde 2000 e para mim é das ferramentas mais preciosas que utilizo e que gosto de deixar, não apenas a alunos e amigos, mas a todos aqueles que de alguma forma posso tocar. Esta filosofia de vida tem sido o meu alicerce nos vários desafios que tenho enfrentado, desde relacionamentos, incluindo divórcio, a mudanças profundas na minha vida, como a alteração  residência e cidade (facto que aconteceu algumas vezes). 
Hoje vejo-me com maior força interior, mais energia e vontade perante as contrariedades. Devo muito a esta filosofia de vida que para mim faz todo o sentido.

Espero que de alguma forma ressoe contigo e te apoie pelo momento que estás a atravessar.
Sente-te livre de partilhar, comentar ou colocar questões.

Namaste


https://youtu.be/Hfd-tJ1-2fU

domingo, 1 de março de 2015

Santocha




Um dos princípios de Yoga é Santocha que significa contentamento, independentemente de qualquer circunstância. Este contentamento é a paz interior frente a alegrias ou desfios.
Num passado recente, passei por um desafio a que dou o nome de violência verbal que nem de longe nem de perto, chegou ao estado de contentamento. 
Gritos ou formas mais intensas de verbalizar sentimentos de revolta, frustração ou zanga chegaram até mim e a quem estava comigo de uma forma assustadoramente surpreendente. E se por lado, me senti frágil o bastante para equacionar sofrer de violência física, também me senti forte o suficiente para não dar a outra face e submeter-me a um abuso no mínimo com a maior falta de respeito pelo meu ser.

Nestas circunstâncias pergunto-me o que será mais correto? Se, por um lado, há um padrão cíclico de mim, que como magnetismo atrai a situação e sou responsável por ela. Por outro lado, sendo responsável, também preciso de atuar de forma a quebrar o mesmo padrão ou vou ser "submissa" em determinadas situações. Como, efectivamente, já fui em alguns momentos da minha vida.
Agora de fora do filme, consigo ter uma maior clareza e graças a um amigo muito chegado que me ajudou de forma directa a ir ao padrão de violência, com principal origem na infância.
Agora consigo ver como alguns adultos podem ter um papel demasiado abusivo na educação, seja através de palavras, ações ou falta delas.
Vezes sem conta ouço clientes que vem até mim e desabafam os medos desta mesma infância. Por exemplo o olhar do pai que os deixava em sentido, uma mãe que apenas tinha atributos de mãe pela parte social, irmãos ou outros familiares que se achavam no poder de usar a força perante uma criança pouco ou nada indefesa.

Como essa criança vai crescer? Como ela vai ver e interpretar o mundo? Como ela se vai defender??
Se é coisa que raramente me deixa quieta ou calada é injustiça perante crianças e animais. Como uma criança se defende com quatro anos ou menos perante os berros ou estalos de alguém que supostamente diz que a ama?? 
Todos podemos perder a paciência e errar. Todos passamos por fases dessas. Mas conscientemente.... É algo que demonstra uma patologia,  nada saudável para todo o ambiente familiar. Tornando-se ainda pior quando voltamos a reagir vezes sem conta o que criticávamos nos pais.
Até ao momento, de Santocha pouco consegui sentir. Mas a verdade, é que estando, fora do filme, sinto paz interior. Não apenas por ter compreendido, mas por ter uma maior consciência da importância que podem ter as palavras para quem as escuta. Já não sou a Sonja de quatro ou cinco anos, indefesa e a chorar. Mas ainda tenho esse lado acompanhado com a Estela madura que não permite esse tipo de atos e que cada vez está mais apta a responder com assertividade e amor. Devo dizer que esta paz me deu maior força para atuar. 

sábado, 10 de janeiro de 2015

Yoga na adolescência


Como professora de yoga, adoro lecionar e ver o desenvolvimento dos meus alunos. E ao mesmo tempo sou também uma eterna aprendiz. Fascina-me a linguagem do corpo e maneira como se manifesta nas diferentes posturas durante uma aula e ao mesmo tempo como cada mente desse corpo interage com ele e com o grupo.
Tenho alunos de todas as idades. Há anos em que os jovens recorrem mais, outros em que são os adultos. Este ano é o primeiro que tenho turmas inteiramente adolescentes entre os onze e os dezasseis anos. E é com imensa alegria que partilho esta fase de crescimento com estas jovens tão bonitas. Sinto-me grata pela oportunidade e pelo crescimento. Pois daqui surgem sementes para uma vida preenchida de valores internos.

À medida que as aulas vão avançando há um laço que se cria, uma maior proximidade e um tratamento por tu, intercalado com "stora" como se fosse parte daquele grupo de amigas intimas, em que sou a mais velha. E dentro de mim, rio por esta simplicidade e pelo aconchego que me traz ao coração de fazer parte de mais um mundo, o qual já quase tinha esquecido. E noto as diferenças e semelhanças que no meu tempo de adolescente existiam a todos os níveis. As leituras, as series televisivas, os estudos, as oportunidades de carreira são tão parecidas e tão diferentes na realidade que eu conhecia. Parecidas porque sempre existiam e diferentes porque na minha época este acesso tão fácil, rápido e eficiente não me era nada familiar.  Engraçada a certeza com que algumas delas já tem delineado o seu futuro de sonho e carreira. Enquanto eu não me identificava com nada até bastante tarde. Mas devo dizer que mesmo nesse nada, tive e tenho uns pais amorosos que não me forçaram a seguir qualquer caminho. Por isso estou aqui a seguir o meu coração e o que amo.

Gosto de aprender todos os dias, da mesma forma como coloco de mim em tudo o que faço/pratico e estas "crianças" têm me ajudado a ser paciente com elas ao mesmo tempo que vivo essa energia de vivacidade, espontaneidade, leveza de que há uma vida inteira pela frente para desfrutar e que elas tão naturalmente respiram. E essa energia que cada corpo manifesta com maior ou menor flexibilidade/rigidez fascina-me pela totalidade de cada ser. E é engraçado observar como simples asanas (posturas) dão formas de expressão tão diferentes de corpo para corpo, como esculturas em distintos escultores. E se nalgumas delas o silêncio torna-se mágico e dá azo a uma imaginação crescente, noutras o impulso da dor e do esforço é de tal forma que o silêncio deixa de existir e por vezes surge aquela gargalhada espontânea de nós mesmos. Nestes instantes rio-me com elas porque a mesma energia vem até mim e é mais uma oportunidade de sentir o quanto o riso liberta e prepara para um momento mais concentrado. É como um elástico que é esticado e ao ser largado (riso) deixa de estar em esforço e volta ao seu lugar inicial. Não voltamos ao início porque alteramos algo em cada asana, mas permitimos largar o esforço e usufruir de bem estar, por momentos.

Yoga ajuda a todos os níveis, melhorando a capacidade de concentração e produtividade, imprescindíveis para bons resultados nos estudos. Mas ao mesmo tempo cria estrutura, alicerces para a vida, porque como filosofia de vida que é, tem um conjunto de ferramentas que não são apenas as conhecidas asanas. E quem se identifica com este caminho, gosta de o praticar de forma salutar.
Se já experimentaste sabes do que falo. Se ainda não te foi possível, está na altura de teres a tua própria experiência. Convido-te!