quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Magia





Enquanto dava uma aula de yoga, um pensamento persistente me invadia como a onda que beija a areia e se retrai para voltar de novo e de novo. A magia da vida, nas suas múltiplas formas, surgia na minha mente.

Magia é considerado algo invisível ao olho humano, algo transcendente, sem explicação, pelo menos numa primeira fase. A minha vida é feita de magia ou de pequenos encantos que me alegram constantemente. Poderei chamar sincronicidades, mas não deixam de ser sincronicidades mágicas.
Costumo fazer perguntas, muitas vezes alto (tenho um lado magicamente louco com o Universo!) e obtenho respostas nas coisas mais simples, como abrir um livro e ler a primeira frase; escutar alguém que sem ter questionado me fala do assunto, o mesmo que falara anteriormente ao Universo; alguém a ligar para me dizer algo, ou até mesmo uma música que ouço naquele momento. Estas e outras magias acontecem todos os dias. Não sou propriamente a pessoa de achar que os anjos ou guias vêem até mim falar a cantar.... Mas acredito que tenho seres visíveis e invisíveis que me acompanham, guiam, limpam as minhas lágrimas e me fazem cócegas para rir!!!

Há tantas magias na nossa vida, pensava eu... A magia das relações, sejam elas mais ou menos íntimas, a magia da zona de conforto versus desconforto, a magia profissional, a magia do medo, da abundância, da criança dentro de nós, das criações da mente, do coração..... A lista é infindável, como são os grãos de areia da praia onde gosto de caminhar e meditar.

Aahh!! Esquecia algo mágico muito importante!! Uma vez li num livro, daqueles que cada página é uma mensagem diária e um desses excertos  era "fazer nada e fazê-lo bem!!". A mensagem, não era descansar, mas fazer NADA! A magia de nada fazer e ao mesmo tempo ser esse nada na perfeição. A minha interpretação é simplesmente sentir essa paz, escutar o coração a bater! 
Já agora podes fazer esse exercício. Consegues parar neste preciso momento e ouvir, escutar o bater do teu coração? Como está? Acelerado? Ansioso? Ou calmo? Sereno? Não consegues ouvir? 
Silencia-te e acabas por sentir e depois lá vem o som tumtum tumtum. E com o som, vem a magia de te sentires vivo. E é provável que possas sentir mais e mais de ti, em união com tudo o que é, que existe.

Termino por partilhar toda esta magia contigo. A mesma magia que te levou a ler-me. A mesma onda que rouba um sorriso. O mesmo grão de areia que te sussurra, o quanto és importante e imprescindível neste puzzle da vida.
Querido ser mágico, estou grata pela minha e tua existências.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Memórias





Somos o resultado das nossas memórias. Toda a experiência nos impregna com uma memória, podendo ser esta mais consciente ou não. A experiência em si é neutra e atribuímos-lhe um resultado/significado, consoante o que esperávamos ou desejaríamos que fosse. Mesmo sem expectativas patentes, o ego condiciona e compara com resultados anteriores ou tem uma predisposição nata para determinado desfecho.
Assim sendo, a memória é a consequência que fica dessa mesma interpretação.

Relembro uma imagem que chegou até mim, em que ainda não tinha um ano e estava nos braços da minha mãe. Tudo o que via era a sua cara bonita, calma e sorridente, com um cabelo preto caído pelos ombros. Na minha percepção de bebé, só via aquele maravilhoso ser, como extensão de mim, sem perceber onde eu começava e ela acabava. Era como se nós as duas não tivéssemos forma, sendo esta completa naquele momento.
A memória que ficou selada em mim, foi a da identidade. A minha mãe era a minha identidade. E passados meses em que existiu separação física, por mudança de país, eu perdera a minha identidade....
Andei anos a trabalhar o perdão. Perdão a mim mesma e aos meus pais. E só agora tenho a consciência da identidade.

Nos Yoga Sutras, que são aforismos codificados quatro séculos antes de Cristo, por Patanjali, é referida a memória, como registo, resultado das experiências.
Y.S. 1.11 Anubhūta - Vishaya - Asampramoshah Smritih
"A memória será o facto de não tirar ao objecto de experiência o seu carácter de "consequência", já que lembrar-se é fazer de forma que o facto fique conforme a experiência que tive precedentemente a ela."
Ou seja, na minha experiência com a minha mãe, a memória que mais tarde ficou, resumiu-se à perda de identidade. Ficando eu sozinha, sem ela por perto, deixaria de ser eu. Pois eu era a totalidade com ela. E essa memória condicionou a minha vida até ter a consciência de que sou um ser individual, ligado a todos os seres.
Quantas memórias guardamos sem saber?

Seremos condicionados por elas?

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Yoga - video 2




Yoga e técnicas de equilibrio.

Neste segundo video encontras mais uma técnica para usares facilmente no dia a dia.
Por vezes a corrida diária não permite que possamos parar e simplesmente escutar o nosso corpo. Mais facilmente falamos mentalmente e por vezes essa conversa não é de todo agradável.
Apresento, numa sequência de três videos, técnicas muito simples de serem executadas em apenas alguns minutos, algumas em qualquer lugar, outras, por exemplo antes de dormir ou ao acordar.

É importante parar e sentir como estamos. Se repararmos todos os animais têm pausas de relaxamento, que facilmente podem ser meditações. 
Tenho aprendido muito com animais, que ao longo da vida me adotam, por exemplo a gata que me acompanha tem muitos momentos zen ao longo do dia e lugares especiais dentro e fora de casa onde carrega as suas baterias. Por vezes observo os seus rituais de dormir acordada ou as posturas que faz, mantendo uma flexibilidade única e invejável. Quando medito, ela gosta de me acompanhar. E este é um momento de partilha a dois seres, que se transformam num outro ser.
Se tens algum animal, deixo o desafio para experimentares meditar com ele. Não precisas de muito tempo. Apenas fechar os olhos e deixares estar a sentir-te com a coluna direita. Observa-te, como te sentes, a respiração, os pensamentos que surgem e deixa-os partir, porque nesse momento és apenas observador de ti mesmo.

Sente a liberdade de partilhares a tua experiência e o que sentiste.
Espero saber de ti.


sábado, 23 de maio de 2015

Yoga e equilibrio





Ao longo do dia podemos variar entre stress, cansaço, ansiedade ou mesmo tristeza e ou alegria, sem nos apercebermos que a nossa energia pode-se manter mais estável.
Com Yoga obtemos técnicas muito simples de serem executadas em qualquer lugar e com as quais se torna mais fácil estarmos em equilíbrio. 
Neste vídeo partilho uma delas, talvez a mais simples e ao mesmo tempo poderá ser a mais complexa, dependendo do grau de atenção que colocamos em nós mesmos, no que pensamos e sentimos.
Parafraseando Henry Longfellow, "em caracter, em comportamento e em todas as coisas, a suprema excelência esta na simplicidade."
Como tal, lanço o desafio da simplicidade da técnica.

Pratico Yoga desde 2000 e para mim é das ferramentas mais preciosas que utilizo e que gosto de deixar, não apenas a alunos e amigos, mas a todos aqueles que de alguma forma posso tocar. Esta filosofia de vida tem sido o meu alicerce nos vários desafios que tenho enfrentado, desde relacionamentos, incluindo divórcio, a mudanças profundas na minha vida, como a alteração  residência e cidade (facto que aconteceu algumas vezes). 
Hoje vejo-me com maior força interior, mais energia e vontade perante as contrariedades. Devo muito a esta filosofia de vida que para mim faz todo o sentido.

Espero que de alguma forma ressoe contigo e te apoie pelo momento que estás a atravessar.
Sente-te livre de partilhar, comentar ou colocar questões.

Namaste


https://youtu.be/Hfd-tJ1-2fU

terça-feira, 12 de maio de 2015

Relacionamento







Se estás numa relação, consideras que tem um relacionamento saudável?

Uma cliente procurou-me devido a problemas no seu casamento e pela dificuldade em que se encontrava em gerir os seus comportamentos e os do parceiro. Discussões num certo tom de voz afiado eram uma constante e aparentemente sem razão alguma para isso. Por outro lado, era de seu maior agrado ficar sozinha em casa, tratando dos afazeres e beneficiando do tempo para si. Cada vez que eventos surgiam para se virar para o social, sentia sempre algum desagrado e relutância em ir. Mesmo depois, acabando por se divertir e gostar bastante.
Feito algum trabalho no sentido de perceber a causa de todos estes sentimentos, Maria (escolho chamá-la assim), foi a uma vida passada em 1933 num pais que seria Franca. Fazia parte de uma Associação secreta contra malfeitores e espiãs. A sua família era exclusivamente os oito membros de que fazia parte. Vivia um mundo diferente com objectivo único, matar. De sangue frio, não poderia ter sentimentos ou os ideais não seriam os seus. Nessa Associação existia um braço direito a quem ela admirava pela sua capacidade de comunicação e mais valias. Homem esse, o marido da vida atual.
A partir daí muito foi compreendido e integrado desta sua vida atual.

Nem sempre é fácil percebermos as relações que atraímos para nos ajudarem a crescer.
Posso partilhar que atraí relações desafiadoras em que a falta de comunicação era uma constante. Percebo agora que esse lado também era muito meu, porque a maneira como comunicava era muito mais mental do que vinda do coração em fragilidade, amor e compreensão. Algo que me desafia todos os dias a estar presente ao que sinto na interação com outros.


Se de alguma forma esta partilha te toca, agradeço que expresses a tua experiência ou sente-te livre para colocares alguma questão pertinente para o momento que estas as passar.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Árvores






Posso dizer que amo as árvores. Em cada lugar que vou e elas estão presentes há uma especial que fala comigo. Deixa-me encostar entre as raízes e o tronco e viver uma realidade paralela ou um sonho. Com elas obtenho grandes soluções e sobretudo uma imensa paz que me deixa tão zen como um monge no alto das montanhas a meditar impávido e sereno como a minha árvore!
Hoje estou encostada a uma delas enquanto escrevo estas palavras e sinto me mimada no seu colo ao mesmo tempo que seres voadores vêm até mim com musicas diferentes. Ouço o som da terra quando fecho os olhos e tenho a grande sensação que mexe, que vibra, que tudo é vivo e respira comigo. 
Sinto me presente ao que estou a sentir dentro de mim, à leveza, à paz, ao estar tão acompanhada e quase consigo perceber a felicidade dos pássaros que cantam ao meu redor, a alegria dos grilos que se escondem, a dança dos ramos com a brisa que faz um som peculiar. E neste momento sinto-me. Como se fizesse parte deste tronco, deste chão, deste céu....sinto-me tão bem e grata por este prazer profundo. 

Obrigada Mãe Natureza. 
Também tu tens o teu lugar nela?? Ou esqueces-te que existe??

Permite te sentir.....

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Milagres



Estes últimos dias andei com a palavra "milagres" na minha mente. Gosto dela e talvez por fazer tanto sentido para mim recebo bombons (que é outra expressão que uso para milagres ou sincronicidades) com relativa frequência. 
A vida é uma constante magia de movimento e vibrações. Quando estas estão mais sublimes, ou seja de abertura, gratidão, amor é tão mais fácil receber presentes caídos literalmente do céu. Têm sido assim os meus dias. Por vezes, rio-me sozinha e falo comigo em profunda gratidão. 
Tenho aprendido que para querer, basta Ser e Ser é o meu querer durante grande parte do meu tempo ou será do meu ser?

Não sei o que para cada um é dito ou sentido como milagre. Vou dar alguns exemplos do que é para mim: um sorriso de um desconhecido; alguém que se oferece para me ajudar; um raio de sol a bater na minha face, quando estava prestes a chorar; um amigo que sem me conhecer pessoalmente me envia as chaves de uma das suas casas para eu descansar uns dias longe de tudo; uma senhora que me tira fotos a meu pedido e me concede uns minutos da sua sabedoria e partilha interiores; um telefonema de alguém que me indica outro para me ajudar num assunto especifico; uma borboleta única que pousa para mim, como único modelo de beleza infinita e me mostra a sua leveza e a sua maneira de ser tão perto do divino; um abraço apertado que me leva a sentir as estrelas que brilham e continuam a brilhar dentro de nós...... 
Poderia continuar esta lista infindável de milagres diários, que me fazem sentir aquela criança aos saltos, cheia de alegria. No entanto, deixo para pensares o que para ti serão coisas extraordinárias.

Sinto-me em maior união com tudo o que existe. Talvez aquelas barreiras mentais, de julgamento, de incerteza ou medo, estejam cada vez mais finas a tal ponto de se irem desfazendo à medida que o coração aumenta de tamanho e mais mundo cabe dentro dele.
Não sei como é a tua vida ou o que fazes com ela, mas neste momento sinto-me uma pequena Alice no seu país bem no mundo, mas o mundo das maravilhosas sincronicidades.
Posso deixar-te um convite? Certamente quando estás na praia, relaxas e as barreiras caem de tal forma que te deixas adormecer e por vezes ressonar (ups! Não era para dizer...).... Queres experimentar sentir-te assim numa praia só tua, na mente e no coração?
Gostaria de saber o que acontece! Mas para isso tens de te deixar ir na crista da onda, como as minhas amigas ondinas que muito alegremente brincam em cada bolhinha na onda que vem visitar a terra, cumprimentando-a ou de uma forma mais forte, mostrando-lhe o seu poder e vontade.
Fica o desafio com a certeza que poderás ser sempre mais feliz.