quinta-feira, 30 de julho de 2015

Memórias





Somos o resultado das nossas memórias. Toda a experiência nos impregna com uma memória, podendo ser esta mais consciente ou não. A experiência em si é neutra e atribuímos-lhe um resultado/significado, consoante o que esperávamos ou desejaríamos que fosse. Mesmo sem expectativas patentes, o ego condiciona e compara com resultados anteriores ou tem uma predisposição nata para determinado desfecho.
Assim sendo, a memória é a consequência que fica dessa mesma interpretação.

Relembro uma imagem que chegou até mim, em que ainda não tinha um ano e estava nos braços da minha mãe. Tudo o que via era a sua cara bonita, calma e sorridente, com um cabelo preto caído pelos ombros. Na minha percepção de bebé, só via aquele maravilhoso ser, como extensão de mim, sem perceber onde eu começava e ela acabava. Era como se nós as duas não tivéssemos forma, sendo esta completa naquele momento.
A memória que ficou selada em mim, foi a da identidade. A minha mãe era a minha identidade. E passados meses em que existiu separação física, por mudança de país, eu perdera a minha identidade....
Andei anos a trabalhar o perdão. Perdão a mim mesma e aos meus pais. E só agora tenho a consciência da identidade.

Nos Yoga Sutras, que são aforismos codificados quatro séculos antes de Cristo, por Patanjali, é referida a memória, como registo, resultado das experiências.
Y.S. 1.11 Anubhūta - Vishaya - Asampramoshah Smritih
"A memória será o facto de não tirar ao objecto de experiência o seu carácter de "consequência", já que lembrar-se é fazer de forma que o facto fique conforme a experiência que tive precedentemente a ela."
Ou seja, na minha experiência com a minha mãe, a memória que mais tarde ficou, resumiu-se à perda de identidade. Ficando eu sozinha, sem ela por perto, deixaria de ser eu. Pois eu era a totalidade com ela. E essa memória condicionou a minha vida até ter a consciência de que sou um ser individual, ligado a todos os seres.
Quantas memórias guardamos sem saber?

Seremos condicionados por elas?

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Yoga - video 2




Yoga e técnicas de equilibrio.

Neste segundo video encontras mais uma técnica para usares facilmente no dia a dia.
Por vezes a corrida diária não permite que possamos parar e simplesmente escutar o nosso corpo. Mais facilmente falamos mentalmente e por vezes essa conversa não é de todo agradável.
Apresento, numa sequência de três videos, técnicas muito simples de serem executadas em apenas alguns minutos, algumas em qualquer lugar, outras, por exemplo antes de dormir ou ao acordar.

É importante parar e sentir como estamos. Se repararmos todos os animais têm pausas de relaxamento, que facilmente podem ser meditações. 
Tenho aprendido muito com animais, que ao longo da vida me adotam, por exemplo a gata que me acompanha tem muitos momentos zen ao longo do dia e lugares especiais dentro e fora de casa onde carrega as suas baterias. Por vezes observo os seus rituais de dormir acordada ou as posturas que faz, mantendo uma flexibilidade única e invejável. Quando medito, ela gosta de me acompanhar. E este é um momento de partilha a dois seres, que se transformam num outro ser.
Se tens algum animal, deixo o desafio para experimentares meditar com ele. Não precisas de muito tempo. Apenas fechar os olhos e deixares estar a sentir-te com a coluna direita. Observa-te, como te sentes, a respiração, os pensamentos que surgem e deixa-os partir, porque nesse momento és apenas observador de ti mesmo.

Sente a liberdade de partilhares a tua experiência e o que sentiste.
Espero saber de ti.


sábado, 23 de maio de 2015

Yoga e equilibrio





Ao longo do dia podemos variar entre stress, cansaço, ansiedade ou mesmo tristeza e ou alegria, sem nos apercebermos que a nossa energia pode-se manter mais estável.
Com Yoga obtemos técnicas muito simples de serem executadas em qualquer lugar e com as quais se torna mais fácil estarmos em equilíbrio. 
Neste vídeo partilho uma delas, talvez a mais simples e ao mesmo tempo poderá ser a mais complexa, dependendo do grau de atenção que colocamos em nós mesmos, no que pensamos e sentimos.
Parafraseando Henry Longfellow, "em caracter, em comportamento e em todas as coisas, a suprema excelência esta na simplicidade."
Como tal, lanço o desafio da simplicidade da técnica.

Pratico Yoga desde 2000 e para mim é das ferramentas mais preciosas que utilizo e que gosto de deixar, não apenas a alunos e amigos, mas a todos aqueles que de alguma forma posso tocar. Esta filosofia de vida tem sido o meu alicerce nos vários desafios que tenho enfrentado, desde relacionamentos, incluindo divórcio, a mudanças profundas na minha vida, como a alteração  residência e cidade (facto que aconteceu algumas vezes). 
Hoje vejo-me com maior força interior, mais energia e vontade perante as contrariedades. Devo muito a esta filosofia de vida que para mim faz todo o sentido.

Espero que de alguma forma ressoe contigo e te apoie pelo momento que estás a atravessar.
Sente-te livre de partilhar, comentar ou colocar questões.

Namaste


https://youtu.be/Hfd-tJ1-2fU

terça-feira, 12 de maio de 2015

Relacionamento







Se estás numa relação, consideras que tem um relacionamento saudável?

Uma cliente procurou-me devido a problemas no seu casamento e pela dificuldade em que se encontrava em gerir os seus comportamentos e os do parceiro. Discussões num certo tom de voz afiado eram uma constante e aparentemente sem razão alguma para isso. Por outro lado, era de seu maior agrado ficar sozinha em casa, tratando dos afazeres e beneficiando do tempo para si. Cada vez que eventos surgiam para se virar para o social, sentia sempre algum desagrado e relutância em ir. Mesmo depois, acabando por se divertir e gostar bastante.
Feito algum trabalho no sentido de perceber a causa de todos estes sentimentos, Maria (escolho chamá-la assim), foi a uma vida passada em 1933 num pais que seria Franca. Fazia parte de uma Associação secreta contra malfeitores e espiãs. A sua família era exclusivamente os oito membros de que fazia parte. Vivia um mundo diferente com objectivo único, matar. De sangue frio, não poderia ter sentimentos ou os ideais não seriam os seus. Nessa Associação existia um braço direito a quem ela admirava pela sua capacidade de comunicação e mais valias. Homem esse, o marido da vida atual.
A partir daí muito foi compreendido e integrado desta sua vida atual.

Nem sempre é fácil percebermos as relações que atraímos para nos ajudarem a crescer.
Posso partilhar que atraí relações desafiadoras em que a falta de comunicação era uma constante. Percebo agora que esse lado também era muito meu, porque a maneira como comunicava era muito mais mental do que vinda do coração em fragilidade, amor e compreensão. Algo que me desafia todos os dias a estar presente ao que sinto na interação com outros.


Se de alguma forma esta partilha te toca, agradeço que expresses a tua experiência ou sente-te livre para colocares alguma questão pertinente para o momento que estas as passar.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Árvores






Posso dizer que amo as árvores. Em cada lugar que vou e elas estão presentes há uma especial que fala comigo. Deixa-me encostar entre as raízes e o tronco e viver uma realidade paralela ou um sonho. Com elas obtenho grandes soluções e sobretudo uma imensa paz que me deixa tão zen como um monge no alto das montanhas a meditar impávido e sereno como a minha árvore!
Hoje estou encostada a uma delas enquanto escrevo estas palavras e sinto me mimada no seu colo ao mesmo tempo que seres voadores vêm até mim com musicas diferentes. Ouço o som da terra quando fecho os olhos e tenho a grande sensação que mexe, que vibra, que tudo é vivo e respira comigo. 
Sinto me presente ao que estou a sentir dentro de mim, à leveza, à paz, ao estar tão acompanhada e quase consigo perceber a felicidade dos pássaros que cantam ao meu redor, a alegria dos grilos que se escondem, a dança dos ramos com a brisa que faz um som peculiar. E neste momento sinto-me. Como se fizesse parte deste tronco, deste chão, deste céu....sinto-me tão bem e grata por este prazer profundo. 

Obrigada Mãe Natureza. 
Também tu tens o teu lugar nela?? Ou esqueces-te que existe??

Permite te sentir.....

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Milagres



Estes últimos dias andei com a palavra "milagres" na minha mente. Gosto dela e talvez por fazer tanto sentido para mim recebo bombons (que é outra expressão que uso para milagres ou sincronicidades) com relativa frequência. 
A vida é uma constante magia de movimento e vibrações. Quando estas estão mais sublimes, ou seja de abertura, gratidão, amor é tão mais fácil receber presentes caídos literalmente do céu. Têm sido assim os meus dias. Por vezes, rio-me sozinha e falo comigo em profunda gratidão. 
Tenho aprendido que para querer, basta Ser e Ser é o meu querer durante grande parte do meu tempo ou será do meu ser?

Não sei o que para cada um é dito ou sentido como milagre. Vou dar alguns exemplos do que é para mim: um sorriso de um desconhecido; alguém que se oferece para me ajudar; um raio de sol a bater na minha face, quando estava prestes a chorar; um amigo que sem me conhecer pessoalmente me envia as chaves de uma das suas casas para eu descansar uns dias longe de tudo; uma senhora que me tira fotos a meu pedido e me concede uns minutos da sua sabedoria e partilha interiores; um telefonema de alguém que me indica outro para me ajudar num assunto especifico; uma borboleta única que pousa para mim, como único modelo de beleza infinita e me mostra a sua leveza e a sua maneira de ser tão perto do divino; um abraço apertado que me leva a sentir as estrelas que brilham e continuam a brilhar dentro de nós...... 
Poderia continuar esta lista infindável de milagres diários, que me fazem sentir aquela criança aos saltos, cheia de alegria. No entanto, deixo para pensares o que para ti serão coisas extraordinárias.

Sinto-me em maior união com tudo o que existe. Talvez aquelas barreiras mentais, de julgamento, de incerteza ou medo, estejam cada vez mais finas a tal ponto de se irem desfazendo à medida que o coração aumenta de tamanho e mais mundo cabe dentro dele.
Não sei como é a tua vida ou o que fazes com ela, mas neste momento sinto-me uma pequena Alice no seu país bem no mundo, mas o mundo das maravilhosas sincronicidades.
Posso deixar-te um convite? Certamente quando estás na praia, relaxas e as barreiras caem de tal forma que te deixas adormecer e por vezes ressonar (ups! Não era para dizer...).... Queres experimentar sentir-te assim numa praia só tua, na mente e no coração?
Gostaria de saber o que acontece! Mas para isso tens de te deixar ir na crista da onda, como as minhas amigas ondinas que muito alegremente brincam em cada bolhinha na onda que vem visitar a terra, cumprimentando-a ou de uma forma mais forte, mostrando-lhe o seu poder e vontade.
Fica o desafio com a certeza que poderás ser sempre mais feliz.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Voo



Em vários momentos do meu dia, pensamentos recorrentes de desapego e largar ou deixar ir, vinham num primeiro momento assombrar as pequenas certezas com que me cobri, como uma manta quente e aconchegante numa noite gelada. No fundo o que sentia eram arrepios de uma saudade conhecida e nada benvinda, pelo menos no início. 
Largar conforto, relacionamentos, hábitos, deixar ir os juízos de valor, as tristezas, os risos de pequenas histórias que poderiam ser verdadeiros livros ou filmes cómicos de vivências em conjunto. Desapegar o que não me pertence, custa tanto que lágrimas afloram com uma consistência deveras marcante em mim. 

No fundo nada foi meu, apenas a experiência que tiro de cada lição de vida, de cada momento de amor, de cada olhar presente, no ver para Além de e no sentir a Alma na sua totalidade e grandeza. 
E ao mesmo tempo que estou a sentir o início do desapego, do soltar, como quem abre mão a uma águia para esta voar até ao céu, sinto com grande imensidão a gratidão, como se fosse esse enorme espaço sem fim que é o céu onde a mesma águia se destaca e se, ao mesmo tempo, sente a sua pequenez em tamanho, também sente o poder de fazer parte do mesmo espaço, que a abraça, a acolhe, a impulsiona para ir mais longe dentro dela.

Como me sinto grata pela maturidade que obtive neste tempo de partilha. Como o meu coração bate de alegria por ter vivido momentos tão nítidos de prazer, alegria, amor e também outros de raiva, impotência, frustração e tristeza, que depois se alteraram pela compreensão, diálogo e muita compaixão. Pois sem eles não chegaria onde estou. Não seria a Estela de hoje, mas uma outra pessoa numa realidade paralela. E por todos estes momentos eu desapego e  deixo ir em Amor, o mesmo Amor que os prendeu e que em muitos momentos o quis prolongar com bastante apego numa eternidade. E sabem algo novo? Consigo que estes sabores mágicos fiquem comigo para sempre, pois a intensidade deles, faz com que prevaleçam como selos gravados em mim, muito mais profundamente que qualquer tatuagem.

E aos poucos o largar vai dando lugar à maior gratidão que posso ter, que é a de sentir dentro de mim, tudo o que me permito sentir e acolher, como quando sinto as lágrimas na minha face e as beijo ou as gargalhadas que fazem eco de tal forma que as árvores dançam com a simples alegria de me sentir feliz. 

Obrigada amados seres terrenos com quem cresci nestes últimos tempos. 
Obrigada a mim mesma por me ter permitido abrir o coração como nunca o tinha feito antes.
Grata por tudo, querido Universo e pronta para o novo voo na tua imensidão. 

E... Confio!!