sexta-feira, 24 de abril de 2015

Árvores






Posso dizer que amo as árvores. Em cada lugar que vou e elas estão presentes há uma especial que fala comigo. Deixa-me encostar entre as raízes e o tronco e viver uma realidade paralela ou um sonho. Com elas obtenho grandes soluções e sobretudo uma imensa paz que me deixa tão zen como um monge no alto das montanhas a meditar impávido e sereno como a minha árvore!
Hoje estou encostada a uma delas enquanto escrevo estas palavras e sinto me mimada no seu colo ao mesmo tempo que seres voadores vêm até mim com musicas diferentes. Ouço o som da terra quando fecho os olhos e tenho a grande sensação que mexe, que vibra, que tudo é vivo e respira comigo. 
Sinto me presente ao que estou a sentir dentro de mim, à leveza, à paz, ao estar tão acompanhada e quase consigo perceber a felicidade dos pássaros que cantam ao meu redor, a alegria dos grilos que se escondem, a dança dos ramos com a brisa que faz um som peculiar. E neste momento sinto-me. Como se fizesse parte deste tronco, deste chão, deste céu....sinto-me tão bem e grata por este prazer profundo. 

Obrigada Mãe Natureza. 
Também tu tens o teu lugar nela?? Ou esqueces-te que existe??

Permite te sentir.....

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Milagres



Estes últimos dias andei com a palavra "milagres" na minha mente. Gosto dela e talvez por fazer tanto sentido para mim recebo bombons (que é outra expressão que uso para milagres ou sincronicidades) com relativa frequência. 
A vida é uma constante magia de movimento e vibrações. Quando estas estão mais sublimes, ou seja de abertura, gratidão, amor é tão mais fácil receber presentes caídos literalmente do céu. Têm sido assim os meus dias. Por vezes, rio-me sozinha e falo comigo em profunda gratidão. 
Tenho aprendido que para querer, basta Ser e Ser é o meu querer durante grande parte do meu tempo ou será do meu ser?

Não sei o que para cada um é dito ou sentido como milagre. Vou dar alguns exemplos do que é para mim: um sorriso de um desconhecido; alguém que se oferece para me ajudar; um raio de sol a bater na minha face, quando estava prestes a chorar; um amigo que sem me conhecer pessoalmente me envia as chaves de uma das suas casas para eu descansar uns dias longe de tudo; uma senhora que me tira fotos a meu pedido e me concede uns minutos da sua sabedoria e partilha interiores; um telefonema de alguém que me indica outro para me ajudar num assunto especifico; uma borboleta única que pousa para mim, como único modelo de beleza infinita e me mostra a sua leveza e a sua maneira de ser tão perto do divino; um abraço apertado que me leva a sentir as estrelas que brilham e continuam a brilhar dentro de nós...... 
Poderia continuar esta lista infindável de milagres diários, que me fazem sentir aquela criança aos saltos, cheia de alegria. No entanto, deixo para pensares o que para ti serão coisas extraordinárias.

Sinto-me em maior união com tudo o que existe. Talvez aquelas barreiras mentais, de julgamento, de incerteza ou medo, estejam cada vez mais finas a tal ponto de se irem desfazendo à medida que o coração aumenta de tamanho e mais mundo cabe dentro dele.
Não sei como é a tua vida ou o que fazes com ela, mas neste momento sinto-me uma pequena Alice no seu país bem no mundo, mas o mundo das maravilhosas sincronicidades.
Posso deixar-te um convite? Certamente quando estás na praia, relaxas e as barreiras caem de tal forma que te deixas adormecer e por vezes ressonar (ups! Não era para dizer...).... Queres experimentar sentir-te assim numa praia só tua, na mente e no coração?
Gostaria de saber o que acontece! Mas para isso tens de te deixar ir na crista da onda, como as minhas amigas ondinas que muito alegremente brincam em cada bolhinha na onda que vem visitar a terra, cumprimentando-a ou de uma forma mais forte, mostrando-lhe o seu poder e vontade.
Fica o desafio com a certeza que poderás ser sempre mais feliz.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Voo



Em vários momentos do meu dia, pensamentos recorrentes de desapego e largar ou deixar ir, vinham num primeiro momento assombrar as pequenas certezas com que me cobri, como uma manta quente e aconchegante numa noite gelada. No fundo o que sentia eram arrepios de uma saudade conhecida e nada benvinda, pelo menos no início. 
Largar conforto, relacionamentos, hábitos, deixar ir os juízos de valor, as tristezas, os risos de pequenas histórias que poderiam ser verdadeiros livros ou filmes cómicos de vivências em conjunto. Desapegar o que não me pertence, custa tanto que lágrimas afloram com uma consistência deveras marcante em mim. 

No fundo nada foi meu, apenas a experiência que tiro de cada lição de vida, de cada momento de amor, de cada olhar presente, no ver para Além de e no sentir a Alma na sua totalidade e grandeza. 
E ao mesmo tempo que estou a sentir o início do desapego, do soltar, como quem abre mão a uma águia para esta voar até ao céu, sinto com grande imensidão a gratidão, como se fosse esse enorme espaço sem fim que é o céu onde a mesma águia se destaca e se, ao mesmo tempo, sente a sua pequenez em tamanho, também sente o poder de fazer parte do mesmo espaço, que a abraça, a acolhe, a impulsiona para ir mais longe dentro dela.

Como me sinto grata pela maturidade que obtive neste tempo de partilha. Como o meu coração bate de alegria por ter vivido momentos tão nítidos de prazer, alegria, amor e também outros de raiva, impotência, frustração e tristeza, que depois se alteraram pela compreensão, diálogo e muita compaixão. Pois sem eles não chegaria onde estou. Não seria a Estela de hoje, mas uma outra pessoa numa realidade paralela. E por todos estes momentos eu desapego e  deixo ir em Amor, o mesmo Amor que os prendeu e que em muitos momentos o quis prolongar com bastante apego numa eternidade. E sabem algo novo? Consigo que estes sabores mágicos fiquem comigo para sempre, pois a intensidade deles, faz com que prevaleçam como selos gravados em mim, muito mais profundamente que qualquer tatuagem.

E aos poucos o largar vai dando lugar à maior gratidão que posso ter, que é a de sentir dentro de mim, tudo o que me permito sentir e acolher, como quando sinto as lágrimas na minha face e as beijo ou as gargalhadas que fazem eco de tal forma que as árvores dançam com a simples alegria de me sentir feliz. 

Obrigada amados seres terrenos com quem cresci nestes últimos tempos. 
Obrigada a mim mesma por me ter permitido abrir o coração como nunca o tinha feito antes.
Grata por tudo, querido Universo e pronta para o novo voo na tua imensidão. 

E... Confio!!

domingo, 1 de março de 2015

Santocha




Um dos princípios de Yoga é Santocha que significa contentamento, independentemente de qualquer circunstância. Este contentamento é a paz interior frente a alegrias ou desfios.
Num passado recente, passei por um desafio a que dou o nome de violência verbal que nem de longe nem de perto, chegou ao estado de contentamento. 
Gritos ou formas mais intensas de verbalizar sentimentos de revolta, frustração ou zanga chegaram até mim e a quem estava comigo de uma forma assustadoramente surpreendente. E se por lado, me senti frágil o bastante para equacionar sofrer de violência física, também me senti forte o suficiente para não dar a outra face e submeter-me a um abuso no mínimo com a maior falta de respeito pelo meu ser.

Nestas circunstâncias pergunto-me o que será mais correto? Se, por um lado, há um padrão cíclico de mim, que como magnetismo atrai a situação e sou responsável por ela. Por outro lado, sendo responsável, também preciso de atuar de forma a quebrar o mesmo padrão ou vou ser "submissa" em determinadas situações. Como, efectivamente, já fui em alguns momentos da minha vida.
Agora de fora do filme, consigo ter uma maior clareza e graças a um amigo muito chegado que me ajudou de forma directa a ir ao padrão de violência, com principal origem na infância.
Agora consigo ver como alguns adultos podem ter um papel demasiado abusivo na educação, seja através de palavras, ações ou falta delas.
Vezes sem conta ouço clientes que vem até mim e desabafam os medos desta mesma infância. Por exemplo o olhar do pai que os deixava em sentido, uma mãe que apenas tinha atributos de mãe pela parte social, irmãos ou outros familiares que se achavam no poder de usar a força perante uma criança pouco ou nada indefesa.

Como essa criança vai crescer? Como ela vai ver e interpretar o mundo? Como ela se vai defender??
Se é coisa que raramente me deixa quieta ou calada é injustiça perante crianças e animais. Como uma criança se defende com quatro anos ou menos perante os berros ou estalos de alguém que supostamente diz que a ama?? 
Todos podemos perder a paciência e errar. Todos passamos por fases dessas. Mas conscientemente.... É algo que demonstra uma patologia,  nada saudável para todo o ambiente familiar. Tornando-se ainda pior quando voltamos a reagir vezes sem conta o que criticávamos nos pais.
Até ao momento, de Santocha pouco consegui sentir. Mas a verdade, é que estando, fora do filme, sinto paz interior. Não apenas por ter compreendido, mas por ter uma maior consciência da importância que podem ter as palavras para quem as escuta. Já não sou a Sonja de quatro ou cinco anos, indefesa e a chorar. Mas ainda tenho esse lado acompanhado com a Estela madura que não permite esse tipo de atos e que cada vez está mais apta a responder com assertividade e amor. Devo dizer que esta paz me deu maior força para atuar. 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Pausa para amar


Aproveitei uma pausa e fui fazer outra maior. Em direção a praia, caminhei para usufruir da natureza e sentir o mar a entrar por mim dentro. O sol... Bem este sol que aquece o corpo e alma tem um sabor profundo de renascimento em mim. Quase me sinto um gato a usufruir de tão agradável energia que o sol nos dá. E como gato, encontro um lugar particular a escutar o mar e a meditar. Não sei se vocês gostam de meditar. Nem sei se apreciam tanto o sol e o mar como eu. Mas uma coisa eu sei, quando medito na natureza, renovo-me e algo dentro de mim se transforma. 

Tenho prazer de estar comigo e em mim. E existe uma paz especial no silêncio que me presenteia com uma magnitude sem fronteiras. A tal magnitude que o nosso ser é!

Tinha acabado as consultas de regressão e cada uma tem algo de misterioso, fascinante e único. Para mim é sempre uma novidade e surpresa que abraço e agradeço. 

Uma das regressões mexeu comigo porque me fez lembrar partes minhas de um passado distante.
A senhora a que dou o nome de Renata estava na vida atual com problemas de relacionamentos. Regrediu a uma vida passada em que teve de ser coroada por obrigação e cuidar de um reino. Tudo o que ela gostava era de estar com as empregadas e partilhar as diferentes sabedorias da vida. Para ela casar era uma questão que nem se colocava pela responsabilidade que tinha. Mas ao mesmo tempo o amor não escolhe fronteiras e as paixões vinham bater-lhe à porta do coração. 
Deixou-me a pensar quantas vezes colocamos o correto, o social, o que é "dever", em detrimento do que somos e do que sonhamos como vida, como sonho de vida e vida de sonho.
E o facto de querermos sair da tal parametrização, ganhamos uns rótulos engraçados que até podemos colecionar como citações de lembrança pelo facto de sermos e quereremos permanecer diferentes. 
Gosto de certos nomes que também me são colocados e nalguns, confesso, que encaixo na perfeição! Não fosse a perfeição algo hiper fantástico para mim. 

Enquanto meditava como os gatos, senti a gratidão que provavelmente eles sentem, de estar/ser feliz, em paz, em amor comigo mesma. Gratidão por quem sou, pelo meu trabalho e por quem vem até mim e recebe muito mais do que uma simples consulta ou uma resposta na sua caminhada.
E é com o coração cheio que partilho as mais valias de ser um outro ser, num mundo menos conhecido, mas que cada vez tem mais adeptos a todos os níveis. 
Obrigada por fazer parte deste plano. Obrigada a ti, porque sei que estas palavras ressoam contigo.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Sentimentos




A necessidade de esconder quem somos vem muito associada a não mostrar o que sentimos, sejam os medos, fragilidades, o nosso lado mais de criança indefesa.
Tenho tido a possibilidade de crescer com amizades que se mostram na transparência do que são, sem colocarem as cascas de cebola a proteger. E é deveras reconfortante chorar, rir, apoiar, brincar, dar um berro mais assertivo, ou mesmo receber, no momento adequado para dar o tal passo para além da zona de conforto.
Todos temos a nossa criança e podemos escolher dar-lhe importância, brincar com ela, fazer traquinices e abraça-la quando ela precisar. Ela está em nós, como está a nossa personalidade, a nossa força ou poder. Quando abraçamos essa criança, só temos a ganhar porque ajuda-nos a estar mais presentes ao maravilhoso ser que somos e ao momento. E é natural que num momento mais doloroso apeteça chorar ou gritar. E porque não fazê-lo?? A tendência é esconder e ou choramos no nosso canto ou até nos ocupamos com imensas coisas desnecessárias para não chorarmos e não passar pela dor.
Se gostamos de sentir alegria e felicidade, porque fugimos da dor sem a querer curar? O facto de fugir, resolve ou apenas acumula? 
Tenho aprendido que vivenciar esse processo de emoções, ajuda-me a compreender melhor a minha criança magoada ou triste e a chegar à conclusão porque re-ajo de certa forma ou porque fujo de mim. Quando partilho a dor e me mostro, parece que estou nua e de facto nesse momento estou completamente despida de qualquer juízo mental, preconceito, ideia ou capa (seja social, profissional, emocional....) e essa nudez é a mesma com que a minha criança chega perto do adulto a chorar e lhe mostra o joelho em sangue pela queda. 
Ao abrir-me, recebo muitas das vezes um rio de compaixão, presença e um coração aberto que me recebe sem a necessidade de fazer o que quer que seja a não ser estar presente para mim e comigo. E nesse momento há como que uma orbe especial que nos liga o tempo necessário para que as feridas não fiquem em carne viva.
Gosto de desafios e como gosto, também os lanço para quem deseja mudar, crescer ou simplesmente dar um pequeno passo na direção interior. O desafio que deixo aqui é de experimentarem abrirem-se com alguém próximo que tenham confiança para tal e falarem de coração para coração. Atenção que falar a nível racional/mental é muito fácil. É quase como ler um texto que aparece na mente. Estou a querer dizer que seja de dentro, da parte mais sensível. Permitam-se dar esse passo e sintam o que acontece. Mesmo a medo, qual é o pior que pode acontecer? Sentirem rejeição? E como se cura este sentimento sem ser passar por dentro dele e senti-lo até o mesmo se desfazer como neve que agarramos nas mãos?
Acreditem que passar conscientemente pelo processo seja ele de dor ou outro qualquer, a mim dá-me maior quantidade de ferramentas para o que quero a todos os níveis e tenho uma pequena Sonja bem traquina e reguila que dá um arco-íris de vivacidade à minha caminhada na vida.
Encontro-vos no outro lado desse lindo arco-íris. 

sábado, 10 de janeiro de 2015

Yoga na adolescência


Como professora de yoga, adoro lecionar e ver o desenvolvimento dos meus alunos. E ao mesmo tempo sou também uma eterna aprendiz. Fascina-me a linguagem do corpo e maneira como se manifesta nas diferentes posturas durante uma aula e ao mesmo tempo como cada mente desse corpo interage com ele e com o grupo.
Tenho alunos de todas as idades. Há anos em que os jovens recorrem mais, outros em que são os adultos. Este ano é o primeiro que tenho turmas inteiramente adolescentes entre os onze e os dezasseis anos. E é com imensa alegria que partilho esta fase de crescimento com estas jovens tão bonitas. Sinto-me grata pela oportunidade e pelo crescimento. Pois daqui surgem sementes para uma vida preenchida de valores internos.

À medida que as aulas vão avançando há um laço que se cria, uma maior proximidade e um tratamento por tu, intercalado com "stora" como se fosse parte daquele grupo de amigas intimas, em que sou a mais velha. E dentro de mim, rio por esta simplicidade e pelo aconchego que me traz ao coração de fazer parte de mais um mundo, o qual já quase tinha esquecido. E noto as diferenças e semelhanças que no meu tempo de adolescente existiam a todos os níveis. As leituras, as series televisivas, os estudos, as oportunidades de carreira são tão parecidas e tão diferentes na realidade que eu conhecia. Parecidas porque sempre existiam e diferentes porque na minha época este acesso tão fácil, rápido e eficiente não me era nada familiar.  Engraçada a certeza com que algumas delas já tem delineado o seu futuro de sonho e carreira. Enquanto eu não me identificava com nada até bastante tarde. Mas devo dizer que mesmo nesse nada, tive e tenho uns pais amorosos que não me forçaram a seguir qualquer caminho. Por isso estou aqui a seguir o meu coração e o que amo.

Gosto de aprender todos os dias, da mesma forma como coloco de mim em tudo o que faço/pratico e estas "crianças" têm me ajudado a ser paciente com elas ao mesmo tempo que vivo essa energia de vivacidade, espontaneidade, leveza de que há uma vida inteira pela frente para desfrutar e que elas tão naturalmente respiram. E essa energia que cada corpo manifesta com maior ou menor flexibilidade/rigidez fascina-me pela totalidade de cada ser. E é engraçado observar como simples asanas (posturas) dão formas de expressão tão diferentes de corpo para corpo, como esculturas em distintos escultores. E se nalgumas delas o silêncio torna-se mágico e dá azo a uma imaginação crescente, noutras o impulso da dor e do esforço é de tal forma que o silêncio deixa de existir e por vezes surge aquela gargalhada espontânea de nós mesmos. Nestes instantes rio-me com elas porque a mesma energia vem até mim e é mais uma oportunidade de sentir o quanto o riso liberta e prepara para um momento mais concentrado. É como um elástico que é esticado e ao ser largado (riso) deixa de estar em esforço e volta ao seu lugar inicial. Não voltamos ao início porque alteramos algo em cada asana, mas permitimos largar o esforço e usufruir de bem estar, por momentos.

Yoga ajuda a todos os níveis, melhorando a capacidade de concentração e produtividade, imprescindíveis para bons resultados nos estudos. Mas ao mesmo tempo cria estrutura, alicerces para a vida, porque como filosofia de vida que é, tem um conjunto de ferramentas que não são apenas as conhecidas asanas. E quem se identifica com este caminho, gosta de o praticar de forma salutar.
Se já experimentaste sabes do que falo. Se ainda não te foi possível, está na altura de teres a tua própria experiência. Convido-te!