segunda-feira, 23 de maio de 2016

Escolhas



Todos temos momentos em que tudo questionamos. Passamos fases desafiadoras que nos param no tempo e tudo se move em slow motion como se fosse  pedida uma autorização especial para continuar. 
Que aprendi com esta experiência?, pergunto-me a cada passagem destas, que me tornam quase zombie mas ao mesmo tempo, com sentidos tão em alerta que pareço a minha felina a dormir a sesta e a mexer as orelhas, atenta aos ruídos, mas preguiçosa demais para abrir os olhos.
Afinal, que aprendi desta vez? Visto que fui eu própria que escolhi passar pela situação...

Nesta passagem pela vida e na feitura da minha própria história nela mesma, no meu prisma pessoal não existem vilões nem vítimas, e sim responsabilidade e escolha. Assim sendo, escolhi passar por aqui e agora permito-me sentir e absorver o que sou capaz, neste nível onde me encontro. Mas ao mesmo tempo escolho outro tipo de experiência, de riso, brincadeira, gargalhada para tirar lições igualmente valiosas!

Acima de tudo, escolho-me!! 

sábado, 26 de março de 2016

Simplicidade





E se por momentos deixássemos que a simplicidade tomasse conta de nós como a criança que ri apenas pela expressão diferente de uma face familiar, ou o que chamamos de careta. 
Se é tão fácil fazer expressões, para ver esse sorriso em alguém que amamos, também o será para nós mesmos?? E se experimentássemos? 
Podemos sentir alguma faísca de ridículo ao fazê-lo, mas é o mesmo sentimento expresso nestes diálogos de mímica com um ser tão puro? Ou a beleza de um sorriso numa criança é bem superior a qualquer tipo de alegria dentro de nós??
Tantas vezes me esqueço de mim, para dar maior atenção ao outro, porque naquele momento é urgente. Ou será apenas um hábito de prioridade mal coordenado com a vontade??
O outro, mesmo sendo extensão de mim, não deixa de ser algo exterior.... Se lhe presto a máxima atenção, onde estou a colocar-me? Onde está o meu centro nesse momento?
Contudo, não estou a tirar importância, de quando em vez, existirem situações em que é mesmo necessário dar o meu melhor, na interajuda com o outro. Mas fazer de tal atitude, um ritual para me sentir, de alguma forma, melhor, útil, validada, etc..... Não! Não acredito que tal possa funcionar para ser mais feliz. E atenção que escrevi "ser" e não "estar" mais feliz.
E com este pensamento, encontro-me em frente ao espelho do cabeleireiro a fazer caretas a mim mesma e a rir dos meus sorrisos e expressões caricatas! E tudo isto, porque permiti que a simplicidade me invadisse e aumentasse o humor. 

Permites-te?

sábado, 5 de março de 2016

Estados de ser






Existe um estado meditativo de profunda paz. Pode ser dois segundos ou três minutos. Nessa fusão de serenidade, as palavras não fazem sentido porque tudo expande e deixo de ter corpo, forma, parece que tudo muda, até mesmo o lugar onde estou sentada.
Depois de muitos anos a meditar, pelo simples prazer de sentir esse êxtase, hoje obtenho esse estado de olhos abertos. Não a toda a hora, mas quando me permito.
Vinha a conduzir nesse estado, e até parecia que o carro se dirigia a ele mesmo, levando-me junto. O meu corpo fazia as manobras necessárias para ir onde o cérebro já tinha programado com destino certo.
Com um sorriso no rosto e como se o tempo estivesse parado enquanto eu passava, sentia a união com tudo, a estrada, as pessoas atarefadas, as nuvens, os semáforos.....

Engraçado como determinados estados produzidos dentro de nós, podem despertar outros cada vez mais profundos, como uma espiral sem fim. O meu desafio é manter cada vez mais tempo este sentir.
E claro, como sou humana, enquanto escrevo estas vibrações, com o veículo parado, depressa saí desse estado, quando alguém estacionou ao meu lado, batendo com a porta da sua carroça no meu carro!! Em segundos lá se foi a paz!!!
Voltei ao meu estado de união, ri para mim e pensei "afinal, isto é viver, interagir, crescer, morrer para re-viver".....
E re-vivi nesse momento porque me permiti sorrir para a minha mente, com os seus juízos rápidos e parar a importância que estava a dar ao material e à individualidade.... O outro carro, dito carroça, mas o meu, ah, o meu até lhe chamo de Blue e tem personalidade....
Quantas vezes me deixo cair nestas teias mentais, de separação!???
Pelo menos hoje a consciência falou mais alto! E sabes que mais? Ainda sinto esta união, paz, amor.
Consegues sentir?
É tão maravilhosamente bom.... Que as palavras não chegam....


domingo, 3 de janeiro de 2016

Chuva






Pelo vidro consigo ficar hipnotizada com as gotas da chuva que caem, criando formas engraçadas ao meu ver. À medida que a chuva fica mais ou menos intensa, essas formas unem-se, criando quadros mágicos ou separam-se como peças únicas num quadro pintado com sabores diferentes da natureza. 

Nesta meditação, deixo-me emergir e sentir gratidão por tão grandiosa beleza espelhada em cada gota, que com um ritmo próprio cai, esborrachando-se numa estética inigualável e única. 
Ao mesmo tempo que pondero sair para a chuva, sem aqueles instrumentos que servem de telhados pequenos, reparo noutros seres contentes, a quem a chuva parece ser motivo de festa no jardim em frente. Pardais dançam na chuva, como se ela quase não existisse. Procuram a sua comida, saltitam, como molas numa dança só por eles conhecida, mas que me faz rir.

E penso: “aqui estou eu indecisa entre apanhar chuva num espaço de metros e estes voadores saltam contentes enquanto procuram comida e se alimentam..... Realmente que excesso de perfeccionismo, criado por uma sociedade em que tudo o que é diferente parece quase ser um crime. Como seriamos mais felizes no sentir e usufruir de momentos tão simples como este”.
Ao mesmo tempo aprecio um dos pardais a abrir a sua asa, com tão grande segurança e encanto, que fico a apreciar as suas penas bem afastadas, enquanto com o seu bico vai a um lugar específico fazer algo. “Talvez tenha cócegas com a chuva”, sai esse pensamento de mim e sorrio. 

Quantas vezes paramos assim? Quantas vezes sentimos?

Fotografia: www.pinterest.com

sábado, 21 de novembro de 2015

Viver





Nas carícias do sol sinto o momento e perco-me nesse sentir. Consigo perceber as flores que abrem as sua pétalas para receber os mesmos raios, que tão bem me fazem sentir, ou a cobra que sai do seu esconderijo para receber este calor, pleno de vida, de força, de amor.... 

Nesta paragem, sentada a ver o mar, há uma paz dentro de mim, contrastante com o fluir constante dos automóveis, a uma velocidade estonteante.... 
E penso "quantas vezes andamos com esta rapidez? Quantas vezes paramos para usufruir? Para sentir, para viver??".....
É suposto corrermos em direção a não sei onde, produzir não o quê e chegar onde não existe fim..... Será mesmo o pedido? É o que a Alma precisa? A minha não. Claramente!!!

Aprecio a profundidade da vida, do viver, saindo de mim mesma, como quem aprecia da janela o que se passa ao redor, feito gato curioso do que existe para além do parapeito em que se encontra.
Apraz-me sentir que o meu viver, não é ser escrava de rituais banais, sem qualquer alegria intima e genuína, mas sim momentos intensos de pausas no continuum do tempo, em que permaneço na multiplicidade de quem sou e me expando como os círculos desenhados no lago da existência, como quando uma pedra lapidada é atirada a esse água e mesmo assim, do simples acto advêm beleza.... A estética perfeita que todo o ser, com ela nasce. 

Sentir, é mesmo assim!!

Viver!!!