Como profissional de Yoga, Pilates, Fitness e terapeuta de Vidas Passadas e Autora, desejo que as partilhas que me ajudaram a crescer, possam também de alguma forma ser benéficas a quem ler estes posts. Acredito que estamos em evolução sem fim e avançamos consoante ampliamos o conhecimento de nós próprios.
terça-feira, 2 de janeiro de 2018
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
Pertença
Somos seres de necessidades. Sejam elas físicas, emocionais, espirituais.....sentimos algo dentro de nós que nos impulsiona para um mais qualquer.
Temos necessidade de fazer parte de algo e até rotulamos, como por exemplo, os "nórdicos", "religiosos", "motards", "desportistas", "espirituais"...... E se encontramos alguém da nossa espécie de associação, até nos sentimos acompanhados como se fossem irmãos ou existisse uma ligação profunda de reconhecimento.
Talvez essa premência esteja inscrita no ADN pela existência de dois seres, os nossos pais, que sendo nós, o resultado dessa união, fique como que em memória, a tal extensão de pertença. Ou poderá ser apenas uma comunicação de alma, a dizer que nunca estamos sozinhos, mesmo que individualizados num corpo. O mesmo que tem um inúmero de agrupamentos sejam órgãos, células, nutrientes.....
Ao longo dos tempos formamos famílias, grupos, redes de estruturas, muitas delas inferiores a algumas que vemos na natureza, sejam as colmeias ou até mesmo as formigas, passando pelas alcateias.... As melhores redes, a meu ver, serão sempre as que não são domesticáveis porque tem uma essência inócua de interesses partidários e poderes factuais e individuais de medos exacerbados.
Pergunto-me vezes sem conta se serão os medos que nos unem. A solidão, a doença, a morte, o ficar sem nada, como um corpo nu, despido de matéria mas vestido de amarras sociais e preconceitos de nações. Os mesmos pânicos que nos impelem a avançar para aqui ou acolá como se a morte nos viesse roubar o melhor que existe, quando poderá vir a dar-nos a verdadeira liberdade de Ser. E se por um lado avançamos para experienciarmos quem somos, por outro lado, vacilamos entre o ficar e ir para além da zona de conforto, o tal limiar na corda de trapézio que nos causa vertigens, mesmo para quem não sofre de tal. Mais tarde reconhecemos a mudança, não aquela das circunstâncias exteriores, mas a transformação dentro de nós de paciência, tolerância, visão ou mesmo fluidez com a própria vida. E nesta última, até que a resistência vá de vez num voo sem regresso, como o último adeus de um milhafre a pique..... Até que essa prisão se transforme na maior liberdade que o ser possa ter, é preciso, muito mais que arriscar, confiar que somos um maravilhoso ser, grandioso, sublime em constante expressão e expansão até ao infinito.....
O mesmo in-finito dentro de cada ser - a alma que sem fim avança e se manifesta.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
Yoga e quem sou eu?
Quando nos unimos profundamente com yoga e vamos para além das posturas, meditação ou mantras, sentimos necessidade de conhecer, não apenas quem somos, mas também tudo o que nos envolve, toca, mexe e transcende o nosso ser.
Um dos princípios que rege esta filosofia de vida, é Satya, palavra sânscrita, que quer dizer, "verdade" ou "correcto".
Muitas vezes questiono o que é verdade, perante circunstâncias mais desafiadoras, em que a linha é demasiado ténue, para ser algo universal. A minha verdade é apenas um ponto de vista, ditado por factores interiores, circunstancionais, sociais, educacionais, personalidade...... Já para não falar de ego e da envolvencia emocional que posso ter perante a situação.
O ser espectadora de mim mesma, para tomar a imparcialidade do evento, tem sido um grande processo na minha evolução. Porque a minha verdade, pode nem sempre ser tão inócua, quanto seria de esperar. E a mesma veracidade pode ser inverdade para outrem.
Vivemos numa sociedade de jogos de faz de conta e esconde-esconde. Faz-se de conta que se é feliz sendo autónomo ou autómato..... Esconde-se a realidade de viver de uns, em detrimento de outros, hipnotizados, acreditando que não têm poder de escolha, pela opção do medo versus segurança.
Onde está a verdade???
Na escolha de questionar, procurar, lutar, sentir e unir-se aqueles que fazem parte desse mesmo axioma.
No fundo, o que ressoa comigo, é a minha verdade. E sempre que estou presente a mim mesma, no sentir, sei, com todo o meu ser, para onde ir ou ficar.
A verdade é ser verdadeira comigo mesma, e em primeiro lugar. E a tua?
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
Fazer nenhum
Há uma certa conotação negativa social, no facto de não fazer
nada. Habituei-me a constantes respostas, desse nada, trocado por reuniões. E
há reuniões para tudo, como se pode imaginar. No fundo, desculpas, momentos que
se escondem no tempo, uns para prazeres, outros para dissabores....
Pergunto-me vezes sem conta, se "reunião" é desculpa
para tudo, ou mesmo com um fundo de verdade, porque engloba mais do que uma
pessoa, juntas, num contexto e conteúdo, de certo modo interessante, quanto
mais não seja, para um dos intervenientes.
Estava eu a dizer, que prefiro não fazer nada e dizê-lo
abertamente, a ter a necessidade de colocar uma ocupação infundada e
inverídica.... Sou dona de mim e todo o socialmente correcto, nem sempre me
move, para ser incorrecta comigo.
Grandes pensadores, gênios, retiravam parte do seu tempo para
dormitar, contemplar ou estar junto à natureza, porque no relaxamento a mente deixa de controlar e
permite-nos aceder a outras partes nossas, mas escondidas pela necessidade de
estarmos em alerta constante, seja de tarefas presentes e ou futuras. Grande
exemplo histórico, é a famosa palavra grega "Eureka" que significa
"Encontrei" atribuída a Arquimedes ao entrar numa banheira com água.
Saindo nu e correndo eufórico porque achou a forma de medir o volume de uma
coroa, sem a derreter, no sentido de perceber se era de ouro puro ou teria mais
alguma matéria acoplada.
O banho é uma forma de relaxamento mental e físico.
Um outro exemplo, nas palavras de Philipp Frank, um colega
científico de Einstein, resume o gênio: "Desde o princípio, separava-se
das crianças da sua idade e entregava-se aos seus sonhos e reflexões.
" Ele gostava de se isolar nos seu pensamentos de realidades diferentes daquela que vemos.
Neste momento, deitada no sofá e com um sentimento de profunda
paz, aprecio apenas e só, o não fazer nada, o Ser. Consciente de mim, do meu
corpo, do mundo profissional, emocional, respiro com tranquilidade a serenidade
de existir. Simplesmente isso - existir!! E enquanto respiro este estado, crio
as minhas realidades neste plano.
Dificilmente acredito que apenas estamos aqui e muito menos que
somos um corpo. A minha realidade é abrangente demais para restringir a tal e
enquanto beneficio de tal, apraz-me dizer, que sabe maravilhosamente bem sentir
a serenidade que me invade.
Não sei se te lembras das vezes que a sentiste. Nem tão pouco se
usufruíste da totalidade dessa Paz. Ou até mesmo se te perguntaste até onde te
levaria.
Mas sei que é um estado disponível a todos os que se permitam
sentir, sem nada fazer.
Experimenta, nem que seja um pequeno momento.
segunda-feira, 23 de maio de 2016
Escolhas
Todos temos momentos em que tudo questionamos. Passamos fases
desafiadoras que nos param no tempo e tudo se move em slow motion como se
fosse pedida uma autorização especial para continuar.
Que aprendi com esta experiência?, pergunto-me a cada passagem
destas, que me tornam quase zombie mas ao mesmo tempo, com sentidos tão em
alerta que pareço a minha felina a dormir a sesta e a mexer as orelhas, atenta
aos ruídos, mas preguiçosa demais para abrir os olhos.
Afinal, que aprendi desta vez? Visto que fui eu própria que
escolhi passar pela situação...
Nesta passagem pela vida e na feitura da minha própria história
nela mesma, no meu prisma pessoal não existem vilões nem vítimas, e sim
responsabilidade e escolha. Assim sendo, escolhi passar por aqui e agora
permito-me sentir e absorver o que sou capaz, neste nível onde me encontro. Mas ao
mesmo tempo escolho outro tipo de experiência, de riso, brincadeira, gargalhada
para tirar lições igualmente valiosas!
Acima de tudo, escolho-me!!
sábado, 26 de março de 2016
Simplicidade
E se por momentos deixássemos que a
simplicidade tomasse conta de nós como a criança que ri apenas pela expressão
diferente de uma face familiar, ou o que chamamos de careta.
Se é tão fácil fazer expressões, para
ver esse sorriso em alguém que amamos, também o será para nós mesmos?? E se
experimentássemos?
Podemos sentir alguma faísca de
ridículo ao fazê-lo, mas é o mesmo sentimento expresso nestes diálogos de
mímica com um ser tão puro? Ou a beleza de um sorriso numa criança é bem superior
a qualquer tipo de alegria dentro de nós??
Tantas vezes me esqueço de mim, para
dar maior atenção ao outro, porque naquele momento é urgente. Ou será apenas um
hábito de prioridade mal coordenado com a vontade??
O outro, mesmo sendo extensão de mim,
não deixa de ser algo exterior.... Se lhe presto a máxima atenção, onde estou a
colocar-me? Onde está o meu centro nesse momento?
Contudo, não estou a tirar
importância, de quando em vez, existirem situações em que é mesmo necessário
dar o meu melhor, na interajuda com o outro. Mas fazer de tal atitude, um
ritual para me sentir, de alguma forma, melhor, útil, validada, etc..... Não!
Não acredito que tal possa funcionar para ser mais feliz. E atenção que escrevi
"ser" e não "estar" mais feliz.
E com este pensamento, encontro-me em
frente ao espelho do cabeleireiro a fazer caretas a mim mesma e a rir dos meus
sorrisos e expressões caricatas! E tudo isto, porque permiti que a simplicidade
me invadisse e aumentasse o humor.
Permites-te?
sábado, 5 de março de 2016
Estados de ser
Existe
um estado meditativo de profunda paz. Pode ser dois segundos ou três minutos.
Nessa fusão de serenidade, as palavras não fazem sentido porque tudo expande e
deixo de ter corpo, forma, parece que tudo muda, até mesmo o lugar onde estou
sentada.
Depois
de muitos anos a meditar, pelo simples prazer de sentir esse êxtase, hoje
obtenho esse estado de olhos abertos. Não a toda a hora, mas quando me permito.
Vinha
a conduzir nesse estado, e até parecia que o carro se dirigia a ele mesmo,
levando-me junto. O meu corpo fazia as manobras necessárias para ir onde o
cérebro já tinha programado com destino certo.
Com
um sorriso no rosto e como se o tempo estivesse parado enquanto eu passava,
sentia a união com tudo, a estrada, as pessoas atarefadas, as nuvens, os
semáforos.....
Engraçado
como determinados estados produzidos dentro de nós, podem despertar outros cada
vez mais profundos, como uma espiral sem fim. O meu desafio é manter cada vez
mais tempo este sentir.
E
claro, como sou humana, enquanto escrevo estas vibrações, com o veículo parado,
depressa saí desse estado, quando alguém estacionou ao meu lado, batendo com a
porta da sua carroça no meu carro!! Em segundos lá se foi a paz!!!
Voltei
ao meu estado de união, ri para mim e pensei "afinal, isto é viver,
interagir, crescer, morrer para re-viver".....
E
re-vivi nesse momento porque me permiti sorrir para a minha mente, com os seus
juízos rápidos e parar a importância que estava a dar ao material e à
individualidade.... O outro carro, dito carroça, mas o meu, ah, o meu até lhe
chamo de Blue e tem personalidade....
Quantas
vezes me deixo cair nestas teias mentais, de separação!???
Pelo
menos hoje a consciência falou mais alto! E sabes que mais? Ainda sinto esta
união, paz, amor.
Consegues
sentir?
É tão
maravilhosamente bom.... Que as palavras não chegam....
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